Descubra se o pré-diabetes gestacional existe mesmo 1 A Diabetes não tem cura. Ela pode ser revertida ou estabilizada.

Um dos tipos existentes de diabetes é o diabetes gestacional. Nesse tipo, o aumento no nível de glicose no sangue acontece, como o próprio nome já diz, durante a gestação em mulheres que antes não apresentavam o quadro da doença.

No entanto, hoje em dia muito tem se falado sobre pré-diabetes gestacional. Ou seja, uma condição que antecede o diabetes de fato e que acontece também durante a gravidez.

Mas, será que o pré-diabetes gestacional existe mesmo? Ou será que quando uma mulher grávida apresenta a condição já é considerado um diabetes de fato? Essa dúvida com certeza está na cabeça de muitas mulheres que estão grávidas ou que pretendem engravidar em breve, não é mesmo? 

Levando isso em consideração, este artigo foi criado com o objetivo de responder de uma vez por todas essa dúvida. É claro que antes de falar exatamente sobre isso é importante esclarecer alguns assuntos importantes.

O diabetes gestacional de fato costuma aparecer por volta do 3º trimestre de gestação e é uma doença que desaparece sozinha logo depois do parto. No entanto, precisa de alguns tratamentos adequados para que não ocorra nenhuma complicação mais séria.

Esse problema, de acordo com algumas pesquisas, afeta 7% das mulheres grávidas e, muitas vezes, pode acabar facilitando o desenvolvimento do diabetes tipo 2 entre 10 e 20 anos após a gravidez.

Portanto, o diabetes gestacional é uma doença mais comum do que se imagina. Voltando a falar do pré-diabetes gestacional, será que essa condição existe realmente ou não? Veja a resposta logo a seguir!

Existe ou não pré-diabetes gestacional?

Logo no começo é preciso afirmar que o pré-diabetes gestacional não existe. Ou uma gestante tem diabetes ou não tem, não há essa condição como um meio termo.

Qualquer valor de glicemia em jejum maior do que 92 mg/dl já é considerado diabetes ou qualquer valor de glicemia aleatório maior do que 200 mg/dl é considerado diabetes. 

No caso de gestantes, não se fala em pré-diabetes gestacional. E é preciso ter em mente isso antes de continuar a leitura deste conteúdo. 

Causas do diabetes na gestação

Agora que você já entendeu que não existe pré-diabetes gestacional, é preciso saber quais são as principais causas do diabetes na gestação.

Os pesquisadores e estudiosos ainda não têm uma resposta certa para justificar o aparecimento dessa doença na gestação, o que se sabe é que a doença acontece quando o pâncreas não é mais capaz de produzir o hormônio conhecido como insulina na quantidade suficiente para suprir as necessidades do organismo, ou quando esse hormônio não age mais da forma como deveria – algo que é conhecido como resistência à insulina.

Em pessoas que não apresentam diabetes, o corpo digere o alimento consumido com o objetivo de produzir glicose, a qual entra na corrente sanguínea.

A insulina, então, promove a redução da glicemia a partir do momento em que permite que o açúcar (glicose) que está presente no sangue consiga entrar nas células a fim de ser usado como fonte de energia. 

Sendo assim, quando há uma falta desse hormônio ou quando ele não funciona mais da forma certa, ocorre um aumento dos níveis de açúcar no sangue e, por consequência, aparece o diabetes. 

Durante o período de gestação, a placenta, responsável por ligar o bebê ao suprimento de sangue da mãe, começa a produzir altos níveis de diferentes hormônios.

Infelizmente, quase todos acabam prejudicando a ação da insulina nas células, o que aumenta os níveis de glicose no sangue da gestante. É por isso que uma pequena elevação nesses níveis de açúcar é normal durante a gravidez.

O problema é que à medida que o bebê cresce, a placenta vai produzindo cada vez mais hormônios que bloqueiam a ação da insulina. Portanto, no diabetes gestacional os hormônios placentários provocam um aumento nos níveis de glicose no sangue, o qual pode afetar o bem-estar e o desenvolvimento do bebê. 

Quando há um aumento nos níveis de açúcar durante a gravidez já é considerado diabetes e não pré-diabetes gestacional, certo? 

Principais fatores de risco

Praticamente todas as mulheres podem desenvolver o diabetes gestacional, mas é claro que algumas possuem um risco maior. 

Os principais fatores de risco para esse tipo de diabetes são: histórico familiar da doença, diabetes gestacional anterior, idade superior a 25 anos, gestações anteriores com bebê natimorto inexplicável, aumento do líquido amniótico, ganho excessivo de peso durante a gravidez, bebês de gestações anteriores que nasceram com mais de 4 kg, tolerância à glicose diminuída e excesso de peso antes da gravidez. 

Sintomas

O grande problema é que o diabetes gestacional normalmente é uma doença silenciosa, ou seja, não apresenta nenhum sintoma. Sendo assim, o mais recomendado é fazer com frequência exames durante a gravidez, ainda mais nos períodos entre as semanas 24 e 28. 

Nunca deixe de fazer esses exames, porque o açúcar elevado no sangue pode causar tanto problemas para o bebê quanto para a própria mãe. Quando os sintomas do diabetes gestacional aparecem, eles podem ser: visão turva, aumento da fome, aumento da micção e aumento da sede. 

Mas, como a própria gravidez já causa isso nas mulheres, apenas um exame adequado será capaz de indicar mesmo a presença ou não da doença. 

Diagnóstico

Como já explicado antes, o diabetes gestacional – lembrando que o pré-diabetes gestacional não existe – é diagnosticado entre as semanas 24 e 28 da gravidez, ou seja, no momento em que aquela resistência à insulina que foi mencionada começa. Aquelas mães que apresentam mais fatores de risco para ter a doença, podem fazer os exames adequados antes ainda da 13ª semana. 

Alguns testes podem ser realizados com o objetivo de ver como estão os níveis de açúcar no sangue das mulheres grávidas, são eles: 

Curva glicêmica

Esse exame é capaz de medir a velocidade com a qual o corpo consegue absorver a glicose depois da ingestão. Nesse caso, o paciente precisa ingerir 75 g de glicose e é feita a medida das quantidades da substância no sangue em jejum em uma e duas horas depois da ingestão. 

Glicemia em jejum

A glicemia em jejum é um exame que mede o nível de glicose no sangue em um determinado momento, e também serve para monitorar o tratamento do diabetes. Pode-se dizer que esse exame é realizado com o objetivo de confirmar os resultados da curva glicêmica e também para acompanhar os níveis de açúcar no sangue depois das refeições ou durante o dia. 

Tratamento do diabetes gestacional

Como não existe pré-diabetes gestacional, quando os exames de uma gestante aparecem alterados quer dizer que ela está sofrendo de fato com o diabetes gestacional. Dessa forma, para tratar o problema essa mulher precisa fazer algumas mudanças de vida importantes que serão mostradas a seguir. 

Antes vale lembrar que ao contrário do diabetes, o diabetes gestacional tem cura e desaparece algum tempo depois do parto. De qualquer forma, tomar alguns cuidados durante a gravidez é fundamental para evitar problemas mais sérios. 

Fazer o monitoramento dos níveis de açúcar

Se uma mulher for diagnosticada com diabetes gestacional, durante toda a gravidez ela precisa verificar os seus níveis de açúcar no sangue de quatro a cinco vezes por dia – após as refeições e de manhã ainda em jejum. Esse monitoramento serve para ver se esses níveis permanecem dentro de um faixa considerada saudável. 

Mas, não precisa se preocupar: com a prática fazer esse monitoramento já se torna parte do dia a dia durante a gestação.

Ter uma alimentação saudável

As mulheres que possuem diabetes gestacional, principalmente, precisam ter uma alimentação mais saudável no período da gravidez. Comer certos tipos de alimentos em porções saudáveis é uma das melhores formas de controlar os níveis de glicose no sangue e, por consequência, evitar o ganho excessivo de peso. 

Uma alimentação saudável inclui legumes, verduras e, além disso, limita o consumo de carboidratos refinados – inclusive doces. Consultar um nutricionista pode ser uma boa opção para montar um cardápio que seja adequado para o seu caso em específico e que não prejudique o bebê também.

Fazer exercícios físicos

Nunca se esqueça de que gestantes podem sim fazer exercícios físicos, certo? É claro que tudo precisa ser moderado e levando em consideração a gravidez, mas deixar de fazer atividades físicas é uma péssima escolha durante a gestação. Tenha em mente que a prática de exercícios ajuda e muito o bem-estar antes, durante e depois da gravidez. 

Manter-se ativa nesse período é fundamental para reduzir o nível de glicose no sangue e estimular o corpo a levar essa glicose para as células – lugar onde ela é usada para a produção de energia. O exercício também aumenta a sensibilidade das células à insulina, o que significa que seu corpo vai precisar para produzir menos insulina para transportar açúcar.

Dessa forma, depois que você entendeu realmente que pré-diabetes gestacional não existe, é claro que precisava saber ao certo então o que era diabetes gestacional e todas as principais questões ligadas a essa doença que afeta várias mulheres. Assim, se algum dia você for diagnosticada com esse problema já sabe o que fazer e quais providências tomar – o mesmo vale se você já está lidando com essa doença também.